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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

. desafio dos 30 dias. #24.

#24. Férias mais memoráveis.


Ui! Férias memoráveis. Tenho muitas, sem dúvida. Por uns motivos, por outros. Pelas companhias, pelas experiências. Penso que todas as férias acabaram por ser memoráveis exactamente por serem férias. Tempo de não fazer nada. Tempo de descontrair. Deixar os problemas de lado e apenas aproveitar aqueles instantes. 

Ainda assim, sendo então obrigada a escolher, fico-me pelo intra-rail. 

Em 2010, eu e o H. ponderamos fazer um inter-rail. Mas, feitas as contas, lá concluímos que não havia dinheiro suficiente para nos dedicarmos a isso. Assim sendo, nada melhor que nos ficarmos pela opção low cost, ou seja, o intra-rail. 

Não sei se, entretanto, a CP alterou alguma das condições mas, naquela altura, podiam-se adquirir os bilhetes de acordo com os dias pretendidos e as zonas que se queriam visitar.  No preço dos bilhetes estavam incluídas todas as viagens de comboio dentro das zonas seleccionadas, com excepção do Alfa; bem como as dormidas em Pousadas da Juventude, em quartos múltiplos. 

Uma vez que ambos somos do norte e, por assim ser, se tornar mais fácil conhecermos as zonas envolventes, optamos por adquirir as três zonas a sul e o número máximo de dias.

Como o alojamento incluído era, então, em quartos múltiplos e em Pousadas da Juventude, decidimos que seria ainda melhor levar connosco toda a tralha de campismo, para estarmos mais à vontade nos sítios a visitar. Ou seja, pensamos nós que seria mais fácil conjugar Pousadas da Juventude com Parques de Campismo. 

O mais lógico, digo eu, seria - nas vésperas - traçarmos uma espécie de roteiro para a viagem. Onde queríamos ir, onde ficar, o que visitar, etc. Mas não. Não fizemos ABSOLUTAMENTE NADA DISSO. Andamos todo o tempo ao sabor do vento, apenas decidindo no próprio dia qual seria o destino seguinte. 

Pois então, de 12 a 26 de Agosto, corremos uma boa parte do país, com enormes mochilas às costas (a do H. bem mais pesada que a minha, diga-se). Conhecemos imensas localidades que, provavelmente, não conheceríamos em viagens de carro. Pernoitamos em Pousadas da Juventude recomendadas e em Parques de Campismo surpreendentes. Andamos imenso de comboio, logicamente. Levamos com chuva, trovoada, frio, sol e calor. Sentimos as pernas demasiado cansadas por tantos quilómetros ter por baixo das botas. Ficamos com marcas maravilhosas no corpo, por apanhar tanto sol com uma mochila às costas e botas de montanha nos pés. Partilhamos imensos risos e sorrisos. Sentimos na pele a adrenalina de não saber para onde ir a seguir nem onde dormir. Tiramos um sem fim de fotografias. Fizemos um diário de bordo com todas as aventuras e desventuras vividas.  Tivemos alguns contratempos, como seria de esperar, mas foi tudo óptimo.

Em resumo, andamos por Espinho, Coimbra (e o Portugal dos Pequenitos, tão bom), Santa Comba Dão (e o que por lá fizemos), Nelas, Castelo Branco (numa altura de Boom Festival é sempre curioso), Golegã, Constância (e a aventura de lá chegar!), Caldas da Rainha, São Martinho do Porto, Lisboa, Sintra (e a maravilhosa Quinta da Regaleira), Oeiras (e a fantástica Pousada da Juventude), Setúbal, Olhão, Faro, Fuzeta (e o drama da falta de dinheiro!), Vila Moura, Beja, Évora, Abrantes e Tomar. 

Passamos imenso tempo no Entroncamento e na Funcheira, por serem Estações de interligação de linhas e percebemos o quão difícil é ser turista de comboio, já que a grande maioria das estações são nas periferias dos grandes centros e, por norma, não há transportes de ligação (excepção feita a Coimbra).

Temos um baú a abarrotar de memórias daqueles dias que nos fazem olhar para trás e pensar: 'Vamos fazer outra vez?'. É extremamente cansativo, mesmo. Mas vale tanto, tanto a pena.

.os bilhetes.
.a minha mochila.

.o H. e a pequena mochila.






















.portugal dos pequenitos. coimbra.

.convento de cristo. tomar.


.o que mais se fez, esperar por comboios.

.instantes a dois. santa comba dão.

.noite de castelo branco.

.tantas foram as fotografias.

.a vista do parque de campismo de constância.

.momentos na golegã.

.o diário de bordo.

.paisagens alentejanas.

.a caminho de olhão. 
.noites frias de setúbal.

.a mágica quinta da regaleira.

.as vistas da pousada da juventude
de oeiras.

.a caminho da fuzeta.

.biblioteca josé saramago. beja.


.capela dos ossos. évora.

.templo de diana. évora.


.pelas ruas de abrantes.
 


E ficam muitas, muitas outras fotografias por partilhar. 

Para quem tiver ficado com alguma curiosidade pelo tema, a CP disponibiliza todas as informações aqui.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

. desafio dos 30 dias. #17

#17. Alguém de quem eu tenha saudades.

Tal como eu referi aqui, o meu querido H. não mora aqui, comigo. A bem dizer, esta casa onde eu estou, é a nossa casa. Ainda assim, são mais os dias em que ele não está por aqui. São mais os dias em que a presença dele apenas se sente em cada recanto de cada divisão. São mais os dias em que fica a saudade dos tempos partilhados. São mais os dias em que ele, efectivamente, não está do que aqueles em que ele está. 

E, por assim ser, sinto uma saudade imensa dele, aqui comigo. Diariamente. Para começar um novo dia, para terminar um outro. Para partilhar a mesa de jantar, para partilhar a cama. Para dividir as horas e ter conversas sem fim. Para alargar sorrisos e fechar os braços em abraços bem fechados. Para dar a mão e esquecer tudo o resto.

De quem eu tenho mais saudades é, realmente, do H. 


.'nós somos a forma bonita e completa de viver'.




quinta-feira, 6 de novembro de 2014

. desafio dos 30 dias. #6

#06. Alguém que não mora no mesmo país que eu. 

My pretty little boy, o meu menino dos caracóis de chuva, o H. 

Eu e ele conhecemo-nos em 2001. Eu e ele estávamos juntos aquando do afamado 11 de setembro desse mesmo ano. Eu e ele tínhamos as mãos dadas enquanto o mundo mudava nesses pequenos instantes. 

.my pretty little boy.
Eu e ele separámo-nos. Eu e ele estivemos, cerca de sete anos, longe um do outro. Eu e ele seguimos as nossas vidas, ainda que nos mantivéssemos num cantinho resguardado do coração do outro.

Eu e ele reencontramo-nos em 2008. E foi aí que surgiu o nós. 

Nós namorados há mais de seis anos. E moramos juntos há mais de três. A nossa estória de amor dava um filme, daqueles bem lamechas, como o amor deve ser. Já vivemos muito e continuamos a viver. Já sentimos muito e cada vez mais o sentimos. Já choramos muito e já rimos ainda mais. Já demos as mãos vezes sem conta e temos sempre o ombro disposto a amparar a cabeça do outro. Temos palavras que não terminam e temos silêncios que gritam bem alto. Temos um brilho que cresce quando os olhares se cruzam e temos um sorriso que se rasga quando com o outro é partilhado. Temos coisas só nossas, instantes que nos são muito. Temos um baú repleto de memórias que trazem a lágrima ao canto do olho quando são visitados. Temos projectos que nos mostram um futuro mais risonho, um futuro a dois, à distância de uma pestana.

Nós somos felizes, mas podíamos ser mais. Bastava não haver uns quantos países entre nós. Bastava a vida não ter sido traiçoeira e o nosso país valorizar mais os jovens profissionais que tem. Isso seria o suficiente. Porque, se assim fosse, o H. continuaria a morar aqui, na nossa casa. Diariamente e não só ao fim-de-semana, uma ou duas vezes por mês. Se assim fosse, não estávamos separados por dias infernais. Se assim fosse, continuaríamos a ter as nossas rotinas que de tão nossas que são, são óptimas. Continuaríamos a ter a companhia um do outro ao jantar e não apenas através de um monitor, com quilómetros a nos separar. Continuaríamos a ter um abraço fechado para terminar o dia e um bom dia, alegria a começar um novo.

Nós estamos, então, fisicamente separados. Eu continuo cá, no nosso cantinho à beira mar plantado. E ele está lá, no país de sua majestade. 

Mas, ainda assim, hoje e sempre, estamos juntos. Um com o outro, um pelo outro. 
.design personalizado por diana alves ©.